terça-feira, 1 de agosto de 2017

Num mundo de possibilidades... tentando ajudar o acaso

Tudo começa cedo... É o primeiro contexto!

Estão os pais preparados? Sentem-se e assumem-se como adultos autónomos?
Há tempo físico para os cuidados ao bebé?
Disponibilidade mental? A família permite que sejam os pais a assumir a parentalidade?

E os medos dos pais? Os desejos?
Aquele bebé vem preencher um vazio existencial? Transformar-se-á em ornamento destinado a satisfazer a vaidade dos pais?
Tem direito a uma existência autêntica, para além do desejo da família?

Só à partida, logo nos primeiros anos, e até mesmo antes de o pequerrucho ser concebido, temos um enorme mundo de possibilidades.

Mais ou menos ansiado, mais ou menos planeado, eis que surge o senhor bebé!  Atento às distintas sensações, e em contínuo desenvolvimento.

Valerá a pena planear o nascimento de um filho? Preparar a família? A casa? O espírito?  Tirar um curso intensivo sobre parentalidade?

Se puder... Vale a pena.
Mas nada garante que tudo seja perfeito.

Porque os pais trazem consigo as suas próprias dinâmicas pessoais.
Porque as crianças têm características específicas.
Porque a vida não é perfeita - ou se calhar até é, se considerarmos que é a imperfeição que traz valor à perfeição.
Porque no dia a dia da vida de todos nós, nem tudo pode ser programado.
Porque a noção do que é perfeito é subjetivamente muito distinta.

Então que fazer? Como é isso de ser pai e mãe?  Como garantir que estou a agir da melhor forma?
Bem, de entre todas as dicas a que já teve acesso, e que lhe podem ser úteis, aqui fica uma seleção de convictas orientações:

1. A vida do seu filho não depende só de si, e beneficia em conhecer outras pessoas, outros modelos, outras conversas. Contudo, fique certo, você é fundamental.

2. Proteja-o de males maiores. Tanto quanto lhe for possível. Da melhor forma que lhe for possível. Ao seu jeito. Mas não desista de o proteger.

3. Tenha uma vida. A sua. Se fizer da existência do seu filho, a sua própria existência, estará a aprisiona-lo de forma permanente.

4. Deixe-o experimentar. Não faça tudo por ele. Ele precisa experimentar para saber como se faz. Precisa saber que é capaz, e que para saber fazer, é preciso não ter medo de errar.

5. Não minta. Dentro do possível, não minta. Faça isso. Os seus filhos vão-lhe agradecer.

6. Tenha presente que as crianças precisam de orientação. Porque estão a aprender a lidar com os outros, a lidar consigo mesmas… a lidar com tudo o que as rodeia. Elas desconhecem muitas das regras de conduta que regem o mundo dos adultos.

7. Tenha também presente que embora menos sabedoras sobre os códigos dos adultos, elas são um universo de distinta sabedoria em todos os órgãos dos sentidos a que podem aceder. Por isso, ouça as suas crianças.  Ouça mesmo.

8. Mesmo tomando em consideração tudo aquilo que já leu, viu e ouviu - que por vezes não coincide - confie no seu instinto. Desde que o seu instituto não diga que o seu filho é mau e tem de ser castigado em conformidade.

9. Acredite, não há crianças más. Há crianças aflitas, crianças desesperadas, crianças que não sabem como respeitar os outros, crianças que precisam de ajuda. Mas não há crianças más.

10. Não tenha medo de se por em causa. Não existem pais perfeitos, nem regras de educação universalmente adequadas.  Portanto, está garantido.  Você não é perfeito.

11. Esteja presente. Mostre ao seu filho que ele é importante.

Já agora, não leve a mal esta minha sugestão:  leia também o artigo "Pais de sonho." E obrigada pela paciência.

Dora Bicho

24 de julho de 2017

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