quarta-feira, 25 de março de 2020

A Crise Como Oportunidade

A ideia de que "As Crises são Simultaneamente Novas Oportunidades" é uma Perspectiva Comummente Aceite no Âmbito da Intervenção Psicológica.
Esta ideia em psicologia não é fantasia, ironia ou sadismo. É uma ideia que não pretende promover a crise mas antes aproveitá-la como momento e movimento propulsor de mudança. Porque as fases de crise são fases de maior desequilíbrio e fragilidade que desestabilizam o modo habitual de estar na vida, podem levar a mudanças maiores, para melhor ou para pior. Se oportunamente aproveitadas, de forma construtiva, poderão ser oportunidades de mudança benéficas para o próprio.
Não significa isto que se prescrevam crises como bons remédios para mudar de vida. Nem que uma crise signifique obrigatoriamente um rejuvenescimento pessoal. Nem que momentos críticos de particular sofrimento sejam circunstâncias apetecíveis
É no entanto verdade que, quando uma pessoa se vê imersa numa situação de crise, para além de poder passar por um rol de emoções intensas, sente a sua vida desequilibrada. Perante uma situação de crise pessoal, familiar, profissional, ou outras, o projecto de vida até então sonhado é posto em causa, surgem dúvidas sobre a correcção das escolhas feitas e o que poderia ter sido feito de diferente para evitar o desfecho ou desfechos anteriores. Dada a impotência sentida perante a força das adversidades em causa, surgem dúvidas sobre se vale a pena lutar quando o Universo é tão injusto, e sobre se se pode acreditar quando inesperadamente surgem circunstâncias tão negativas. As escolhas feitas no passado são postas em causa e surgem dúvidas sobre a própria habilidade para escolher os melhores caminhos e agir da melhor forma. Questiona-se o futuro e o que se quer e é possível fazer daí em diante. Há portanto maior fragilidade pessoal, um desequilíbrio em relação à rotina anterior, e dúvidas sobre o futuro.
E este desequilíbrio, devido a uma ou várias circunstâncias, simultâneas ou espaçadas ao longo do tempo, se oportunamente “agarrado” com convicção, pode ser um momento chave para um novo equilíbrio, conseguido, porque a crise provocou um abalo desestabilizador e possibilitou novo ajuste e perspectiva sobre a vida (à qual acresce o acontecimento de crise mais recente).
Dora Bicho – Novembro 2015

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